Em uma noite de reflexão e profundidade, o programa "Conversa com Derneval", transmitido diretamente de Potiraguá, Bahia, recebeu o Pastor Washington Rocha, líder da Assembleia de Deus, Missão, na cidade. O bate-papo, que inaugurou o mês de março, mergulhou em temas que vão desde a jornada pessoal do pastor até discussões teológicas complexas e o papel da igreja na sociedade contemporânea. Com a interação vibrante da audiência online, a entrevista revelou não apenas a visão de um líder religioso, mas também a essência de uma comunidade que se conecta através da fé e do diálogo.

Pastor Washington Rocha compartilhou sua trajetória, que o levou de Itamaraju, sua cidade natal, a diversas localidades na Bahia e até mesmo fora do Brasil como missionário. Formado em administração de empresas e com passagem pela Nestlé em Itabuna, ele relata ter recebido o "chamado para a obra" em 1993, optando por "viver da obra pela fé". Sua experiência missionária na Bolívia, durante a primeira gestão de Fernando Henrique Cardoso, marcou profundamente sua vida. Há dois anos em Potiraguá, ele expressa grande satisfação: "Diga-se de passagem, muito satisfeito, muito feliz pelo povo generoso que é o poteaguense." Sua conversão, ainda na adolescência, foi precedida por uma infância com pais separados que conviviam harmoniosamente, com ele acompanhando a igreja desde os 11 anos.

Ao abordar a função pastoral, Washington Rocha desmistificou a figura do líder, afirmando que "pastor é cuidar de ovelhas". Ele enfatizou que um pastor não precisa ser, necessariamente, um exímio pregador ou cantor, mas tem a obrigação de "saber o estado das suas ovelhas" e possuir "conhecimento com as escrituras". Para ele, pastorear é uma função que "chega a ser profissão", exigindo dedicação e um profundo entendimento da fé. Essa visão prática e centrada no cuidado ressoa com a percepção de seus fiéis, com comentários como o de L Marques Oliveira, que o descreveu como "um caráter refutável, como ser humano, um homem incrível, inteligente e sensível à causa de todos".

A entrevista não se esquivou de temas sensíveis, como o papel das mulheres na liderança da igreja. O Pastor Washington Rocha se posicionou como "um eterno defensor da ala feminina", declarando-se "terminantemente contra o machismo" e, curiosamente, "também sou contra o feminismo porque não há necessidade disso". Ele argumentou que, cientificamente, a mulher é superior ao homem, citando a maior presença de ocitocina (o hormônio do amor) e empatia. Sobre o casamento e o divórcio, ele se baseou nas escrituras para afirmar que um segundo casamento só é permitido em caso de adultério, com o direito de recasar sendo da vítima, não do adúltero. Quanto à comunhão entre pessoas do mesmo sexo, sua posição é clara: "Nós, homens, não temos autoridade nenhuma de condenar ninguém. Nós não podemos ser juízes, mas as escrituras condenam."

A transparência e a conduta dos líderes religiosos foram outro ponto de destaque. O Pastor Washington detalhou a rigidez da convenção da Assembleia de Deus, que fiscaliza intensamente seus pastores, especialmente os presidentes de igreja. Ele revelou que, em caso de irregularidades, como "cheque sem fundo", o líder tem três meses para resolver a situação antes de ser suspenso. A disciplina, que ele considera "um exagero", pode durar cinco anos. "A gente precisa andar na linha mesmo. Inclusive as questões matrimoniais. O pastor da nossa igreja precisa estar muito de bem com a esposa, porque se a esposa abrir o bico de alguma coisa, o cabra tá frito", exemplificou, sublinhando a seriedade com que a igreja trata a integridade de seus líderes.

A paixão pelo evangelismo e pela obra missionária foi palpável em suas palavras. Pastor Washington, que se descobriu missionário em campo, lamentou que, por vezes, a igreja careça de estrutura para a missão. "Missão não é apenas pegar um microfone e uma caixa e blá blá blá", disse, defendendo que é preciso "ter estrutura" e "um projeto" tanto para a missão internacional quanto nacional. Ele criticou, inclusive, a própria Assembleia de Deus por não ser tão organizada nesse particular. O maior desafio de ser pastor, segundo ele, é "lidar com pessoas", um "grupo heterogêneo" e complexo. Sobre a qualificação para o ministério, ele afirmou que o "dom" é o pressuposto bíblico, mas reconheceu que a sociedade e as igrejas organizadas hoje "exigem o curso teológico".

Temas teológicos como o batismo também foram abordados. Pastor Washington defendeu o batismo por imersão, que significa "mergulhar", mas demonstrou respeito pelas igrejas que batizam por aspersão, como a Presbiteriana. Em relação à água, ele não vê "contrariedade bíblica de que é obrigada a ser em água corrente", citando o eunuco que foi batizado onde havia água disponível. Ele também se opôs ao batismo infantil, argumentando que "a criança é inocente" e o batismo deve ser solicitado por quem aceita Jesus, após a consciência do pecado. Ele discordou da premissa das "igrejas inclusivas" na forma como são praticadas atualmente, pois "o cristianismo é o contramão da vida", exigindo que o crente "saia do mundo".

Potiraguá, cenário desta rica conversa, mostrou-se uma cidade onde a fé e a comunidade caminham de mãos dadas. A lista de colaboradores e patrocinadores do programa, que inclui vereadores, secretários municipais e empresários locais, evidencia uma forte rede de apoio e engajamento cívico. O Pastor Washington Rocha, em seus dois anos na cidade, já se sente parte integrante desse tecido social, valorizando o "povo generoso" que o acolheu. A interação calorosa dos internautas, com elogios e perguntas desafiadoras, reforça a relevância do diálogo entre a igreja e a sociedade potiraguense.

A entrevista com o Pastor Washington Rocha no "Conversa com Derneval" foi um testemunho da vitalidade da fé e da importância do debate aberto sobre questões espirituais e sociais. Ao abordar desde sua jornada pessoal até complexas doutrinas e dilemas éticos, o pastor ofereceu uma visão autêntica e corajosa de seu ministério. Para Potiraguá, esse tipo de programa não apenas informa, mas também fortalece os laços comunitários e incentiva a reflexão, pavimentando o caminho para um futuro onde a fé continua a ser um pilar de orientação e esperança para seus cidadãos.

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▶️ Assista à entrevista completa:

https://www.youtube.com/watch?v=5VOpLc2vmZo