Em uma noite de profunda reflexão e debate sobre fé, comunidade e os desafios contemporâneos da vida eclesiástica, o programa "Conversa com Derneval", transmitido diretamente de Potiraguá, Bahia, recebeu o Pastor Jessival Reis, líder da Igreja Nova Vida em Cristo, escritor e teólogo. O bate-papo, conduzido pelo apresentador Derneval, mergulhou em temas cruciais que vão desde a vocação pastoral e o papel social da igreja até questões doutrinárias complexas como o dízimo e a participação feminina no ministério. A entrevista revelou a visão pragmática e profundamente humana do Pastor Jessival sobre a fé ativa e engajada na sociedade.

A jornada do Pastor Jessival no ministério, como ele mesmo descreveu, foi "bastante inusitada e não foi nada programado". Iniciando sua atuação na Igreja Batista Voz de Jesus Cristo entre 1998 e 2000, ele aceitou um convite para liderar o ministério por apenas três meses, em um período de transição. Contudo, essa breve incumbência se estendeu por oito anos, revelando um chamado que se despertava "dia após dia e sempre no intuito de querer cuidar da obra de Deus". Para o Pastor Jessival, a vocação é uma dádiva divina que muitas vezes surge no coração da pessoa sem que ela sequer a deseje, sendo moldada por situações que Deus provoca para direcionar o indivíduo ao seu propósito.

Um dos pilares da discussão foi o evangelismo e a ação social da igreja. O Pastor Jessival enfatizou que o evangelho não se limita à pregação, mas deve ser vivido, transformando a vida dos fiéis em "um espelho de Cristo, um reflexo de Cristo". Ele sublinhou o papel crucial da Igreja Evangélica de Potiraguá no resgate de vidas perdidas para vícios como drogas e álcool, uma verdadeira ação social. Compartilhou um testemunho emocionante de um homem "bastante confusento" na cidade, que, embriagado, aceitou Jesus como salvador durante um culto, chorando, e teve sua vida completamente transformada. "Esse é o poder do evangelho. Essa pessoa recebeu Jesus como salvador. No outro dia ele chegou e falou assim: 'Eu sei que você não acreditou no que eu falei, né, que eu falei que receberia Jesus como salvador da minha vida. Eu tava chorando'. Eu falei: 'Ó, meu irmão, deixa de falar a verdade. Eu não acreditei mesmo não. Mas hoje eu tô aqui, pastor. Eu tô aqui, eu vou manter firme'. E hoje, graças a Deus, já faz muitos anos que esse irmão tá na presença de Deus. É o poder do evangelho, né?", narrou o pastor, evidenciando o impacto real da fé na comunidade.

Abordando sua filosofia de liderança, o Pastor Jessival descreveu um estilo que prioriza o contato direto e o apoio mútuo entre os membros. Ele acredita que a igreja deve ser um ambiente onde as pessoas, muitas vezes já exaustas por suas lutas, encontrem suporte e não julgamento. "Nós sempre incentivamos os irmãos a apoiar uns aos outros, porque chega de luta, a pessoa já passa muita luta e quando chega num ambiente que a pessoa tá muitas vezes chega desacreditada", pontuou. Em relação aos conflitos internos, o teólogo foi categórico: "Não há igreja perfeita". Ele argumentou que a observação do pecado alheio desvia do propósito de autoexame e que o papel do pastor é orientar, mas o relacionamento com Deus é individual.

A participação da igreja na política local e nacional foi outro ponto sensível. O Pastor Jessival defendeu que, embora algumas congregações preguem a neutralidade, os cristãos, como cidadãos celestes e terrestres, estão inseridos na sociedade e devem se envolver. Contudo, esse envolvimento deve ser feito com discernimento, "não criar de forma a ponto de ter inimizades nessa questão da política". Ele também ressaltou que os desafios à paz e fraternidade na igreja surgem quando se ignora a imperfeição humana. "Onde tem duas cabeças pensantes, sai três pensamentos diferentes. Então nós precisamos conciliar essas questões dos conflitos", afirmou, vendo os conflitos como oportunidades de crescimento.

A questão das finanças e do dízimo gerou um dos debates mais detalhados. O Pastor Jessival explicou que a igreja, por ser uma instituição religiosa sem verbas públicas, necessita da colaboração dos membros para sustentar suas ações, que visam "uma sociedade melhor". Ele diferenciou o dízimo do Antigo Testamento, de natureza agrícola e voltado para o sustento da tribo de Levi e do templo, do dízimo atual, que se manifesta financeiramente, como evidenciado pela "moeda do templo" mencionada por Jesus. Para ele, o dízimo não é uma cobrança, mas "uma ação voluntária, algo que parte do coração do ser humano para com Deus, uma forma de gratidão", e não uma barganha.

Criticamente, o pastor abordou a má aplicação dos recursos. Ele condenou o enriquecimento pessoal de líderes, afirmando que "tem igrejas que são ricas e a maioria dos membros estão em estado de calamidade, né? Isso aí não deveria acontecer. Infelizmente acontece, escandaliza". O princípio do dízimo, segundo ele, é sustentar a obra pastoral e, crucially, atender às necessidades de viúvas e pessoas em dificuldades, demonstrando uma ação social intrínseca à fé. Ele reforçou que o dízimo, embora tenha evoluído em sua forma, mantém o princípio de sustento da obra de Deus e da comunidade.

Por fim, o tema da mulher no ministério pastoral, frequentemente polêmico, foi abordado com clareza. O Pastor Jessival argumentou que a Bíblia "não dá respaldo para deixar essas mulheres de fora do ministério". Ele citou exemplos de mulheres que "desbravaram campos fechados" onde homens negligenciaram ou não tiveram coragem. "Você acha que Deus vai largar de salvar vidas, de salvar almas por causa da negligência do sexo masculino? De forma nenhuma", questionou, defendendo que o mandamento de "Ide por todo mundo" foi concedido à igreja sem distinção de gênero, refletindo a visão de uma igreja inclusiva e ativa em todas as esferas.

A relevância do programa "Conversa com Derneval" para a comunidade de Potiraguá, Bahia, ficou evidente na longa lista de apoiadores e patrocinadores citados

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▶️ Assista à entrevista completa:

https://www.youtube.com/watch?v=JJhu4w8sQpc