Potiraguá, Bahia – Em uma noite marcada por expectativas e a busca por renovação política, o programa "Conversa com Derneval" abriu espaço para Fabrício Alves, pré-candidato a vereador, que se apresentou como uma voz disposta a desafiar o status quo da política local. Em entrevista ao apresentador Derneval, Alves, natural de Potiraguá, delineou suas motivações e propostas, enfatizando a necessidade de uma representação popular mais autêntica e transparente na Câmara Municipal. O encontro, transmitido ao vivo, permitiu que a comunidade de Potiraguá e região interagisse diretamente com o pré-candidato, que promete trazer frescor e um olhar atento às demandas da população.

Fabrício Alves, conhecido por sua trajetória na música e por um trabalho público, surge no cenário político de Potiraguá com a premissa de ser um "novo rumo". Filho de uma família humilde e criado na cidade, ele expressou um desejo profundo de preencher uma lacuna de representatividade. "Eu sinto que na política, pelo menos na Câmara de Vereadores, tem uma carência de quem quer ajudar o povo, quem quer realmente falar a voz do povo, a língua do povo", afirmou Alves, destacando sua intenção de promover uma gestão diferente daquela que, segundo ele, a população tem testemunhado. Sua entrada na corrida eleitoral é vista por muitos como uma tentativa de oxigenar o legislativo municipal.

Entre as propostas mais concretas apresentadas por Fabrício Alves, destaca-se um plano ambicioso para a valorização dos artistas locais. Identificando-se profundamente com a área da cultura, ele propõe uma indicação legislativa para que 30% do valor total gasto em festas tradicionais da cidade, como a Vaquejada, seja destinado aos artistas da terra. "Já cheguei a tocar na vaquejada por R$ 200, uma festa da cidade", revelou, expondo a precariedade da remuneração e a falta de reconhecimento. A iniciativa visa não apenas garantir um cachê digno, mas também combater a mentalidade de que "o santo de casa não faz milagre", promovendo o talento local e injetando recursos na economia cultural da própria cidade.

A conversa também mergulhou em uma crítica contundente à cultura do "dinheiro na política", um problema que Fabrício Alves identifica como crônico em Potiraguá. Ele lamentou a percepção de que apenas quem possui poder aquisitivo elevado pode aspirar a cargos eletivos, e admitiu que o eleitorado, por vezes, se deixa levar por ofertas financeiras. No entanto, o pré-candidato defendeu o voto consciente e a convicção pessoal: "Eu, por exemplo, eu nunca votei por questão financeira, nunca votei a alguém. Já teve situações que eu peguei, peguei sim, mas isso não mudou o meu pensamento de votar", declarou, enfatizando que sua campanha será baseada na verdade e nas ideias, e não em promessas vazias ou recursos financeiros.

Fabrício Alves delineou um papel para o vereador que vai além da mera fiscalização, embora reconheça esta como a obrigação principal. Com sua experiência observando as sessões da Câmara, ele se vê em um "estágio" que o permite identificar as falhas do sistema. Sua visão é de um vereador atuante que leva as demandas diretamente às secretarias e ao prefeito, evitando o que ele chamou de "fazer drama" ou "ganhar like" com problemas que poderiam ser resolvidos de forma mais pragmática. Mais importante, ele prometeu total transparência: "Se eu fiz uma indicação, fiz tal indicação, essa indicação não passou, foi, sei lá, recusada por x votos... Fabrício Alves vai pegar um som de um carro de som, vai botar na rua e falar: 'fiz tal indicação e tal indicação não foi aprovada porque teve tantos votos contra e tantos votos a favor'", garantindo que a população saberá quem apoia e quem se opõe às propostas.

A mensagem de Fabrício Alves é um apelo à mudança e à coragem de experimentar o novo. Ele desafia os eleitores de Potiraguá a repensarem suas escolhas, argumentando que a repetição de votos em figuras que não entregam resultados é contraproducente. "Eu acho que não tem porque você repetir uma coisa que você tá vendo porque você repete e você mesmo depois sai falando 'Ah mas não tá fazendo nada' então por que repetir, né?", questionou. Sua pré-candidatura se insere em um contexto de busca por "caras novas" na política local, que possam ser cobradas por um trabalho diferente e mais eficaz, sem os vícios de gestões anteriores.

O cenário político de Potiraguá, Bahia, parece efervescente com a proximidade das eleições. A cidade, como muitas outras no interior do Brasil, lida com a percepção de um "protocolo" onde candidatos a cargos majoritários frequentemente vêm de setores abastados, como fazendeiros ou empresários. Contudo, a ascensão de novas figuras como Fabrício Alves, e a menção a outros pré-candidatos como Elias Carvalho e Maurício Portugal para a prefeitura, indica um desejo de ruptura com essa tradição. A Câmara Municipal, avaliada por Fabrício como "um pouco parcial" em sua atual composição, está no centro desse debate, com a necessidade de uma renovação que realmente se conecte com as necessidades da população e promova um legislativo mais atuante e menos complacente.

Em meio a esse cenário desafiador, Fabrício Alves se posiciona como um pré-candidato determinado a fazer a diferença, mesmo ciente das dificuldades. Sua comparação da política a um "Big Brother", onde o povo é quem "elimina" ou "elege", reflete a dura realidade de uma disputa eleitoral. Apesar da complexidade e da concorrência, inclusive com figuras como Gegel – presidente da Câmara e pré-candidato a vice-prefeito, a quem Fabrício já apoiou no passado –, o músico e agora aspirante a vereador mantém uma postura combativa. "Eu não vou desistir fácil", garantiu, prometendo que, eleito ou não, suas ideias e propostas continuarão a ser articuladas em prol de uma Potiraguá mais justa e com um futuro promissor, impulsionado pela voz e pela cultura de seu próprio povo.

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▶️ Assista à entrevista completa:

https://www.youtube.com/watch?v=pUGmsvzgllo