No palco do programa "Conversa com Derneval", transmitido de Potiraguá, Bahia, o líder e presidente do projeto "Fazendo uma Criança Feliz", Jorge Coelho, concedeu uma entrevista reveladora, detalhando a gênese, os desafios e as conquistas de uma iniciativa que se tornou um farol de esperança para centenas de crianças na região. Em um bate-papo franco com o apresentador Derneval, Coelho expôs a alma de um trabalho social que, desde sua fundação, se dedica incansavelmente a mitigar desigualdades e a promover a inclusão, mantendo uma estrita neutralidade política e uma dependência vital da generosidade alheia.
O "Projeto Fazendo uma Criança Feliz" nasceu em 2017 com uma missão clara: "ajudar aqueles que não têm condições", como afirmou Jorge Coelho. Sua principal finalidade é "diminuir as desigualdades sociais" e "fazer com que essas crianças sejam bem atendidas". Desde o início, o projeto se firmou sobre pilares de independência, não possuindo "fins lucrativos" e, crucialmente, "não tem vínculo político". A essência do trabalho, segundo seu idealizador, é singular: "A única coisa que nós fazemos é ajudar", um lema que reflete o comprometimento de Jorge Coelho com o bem-estar infantil, uma missão que ele reitera como seu propósito de vida, especialmente ao completar 45 anos no dia da entrevista.
A subsistência do projeto depende inteiramente da solidariedade, sendo mantido por "todas aquelas pessoas de bons corações". Jorge Coelho enfatiza que a colaboração é acessível e flexível, sem valores mínimos estipulados. "Fica ao seu critério. O que você puder abençoar, pronto, pra gente está bom demais", explica, removendo barreiras financeiras para doadores em potencial. Contudo, ele lamenta a falta de "desejo de liberalidade" em parte da comunidade comercial de Potiraguá, que, embora conheça o trabalho, oferece pouco apoio direto. A exceção notável é "Franco do Mercado", que, segundo Coelho, "proporciona pro projeto aquilo que o projeto necessita", demonstrando um engajamento exemplar.
Em relação ao apoio do poder público, Jorge Coelho aponta uma mudança de cenário. Ele observa "alguns sinais positivos" da atual administração municipal, em contraste com a gestão anterior, que não ofereceu o mesmo suporte. Exemplos concretos incluem a secretária de Ação Social, Sandra, que disponibilizou "pula-pula" para eventos, e o presidente da Câmara de Vereadores, Raú Dedé, que prometeu ajuda com combustível para as frequentes viagens do projeto aos distritos. Esse apoio, embora tardio, é vital, pois "se essas pessoas nos ajudarem com pula-pula, nos ajudar com combustível pro carro, já fica melhor, porque a gente já dá para já sobra dinheiro para comprar mais um tênis, sobra dinheiro pra gente comprar uma mochila, mais um caderno", liberando recursos para atender diretamente às necessidades das crianças.
Um dos maiores sonhos de Jorge Coelho é a construção de uma sede própria para o projeto, um espaço que poderia oferecer "atendimento odontológico, pediátrico, psicológico". Atualmente, a casa de Jorge serve como um improvisado depósito, com mais de "150 pares de calçados" e cobertores aguardando distribuição, inviabilizando até mesmo o uso de um quarto para visitas. A concretização desse sonho, no entanto, esbarra em obstáculos. Coelho relata tentativas frustradas de obter um terreno público, onde "a politicagem ela entrou no meio", e a inviabilidade de comprar um terreno, o que exigiria a suspensão das doações por "cinco ou seis meses", deixando crianças desassistidas.
Apesar da visibilidade e do impacto social do projeto, Jorge Coelho mantém uma postura irredutível quanto à sua neutralidade política. Rumores sobre sua possível candidatura a vereador em eleições passadas foram desmentidos, em parte pela posição de sua esposa, Tiana, que sempre o aconselhou a não entrar na política. A razão principal, contudo, é a preservação da integridade do projeto e a manutenção de uma base de apoio diversificada. "Se eu escolho um lado, o outro vai dizer o quê? 'tá contra a gente'", explica Coelho, temendo que a polarização política possa levar à perda de patrocinadores. "Eu não posso dar o luxo de perder patrocinadores, porque se eu perco patrocinadores, Derneval, eu perco benefício para as nossas crianças", sentencia, reiterando seu "interesse político nenhum" e seu compromisso em respeitar a todos, independentemente de filiação partidária.
Além da distribuição direta de itens, o "Fazendo uma Criança Feliz" estabeleceu parcerias estratégicas com escolinhas de futebol e vôlei na região, incluindo a "Escolinha Potiraguá" de Peta, o "Atlético Gurupaense", e iniciativas em Itaimbé, Tarantim, Buerarema e Itapetinga. A colaboração começou com a doação de chuteiras para crianças que não podiam participar por falta de equipamento, resultando em um aumento significativo de participantes, inclusive a formação de um time feminino em Potiraguá. A filosofia por trás dessas parcerias transcende o esporte: "Não é todo mundo que joga bola que se tornará jogador de futebol, mas todos eles têm por obrigação de se tornar um cidadão de bem, uma cidadã de bem", ensina Jorge, utilizando o esporte como ferramenta de transformação social e criando um elo afetivo com os jovens.
O alcance do "Projeto Fazendo uma Criança Feliz" se estende por Potiraguá e seus distritos, como Gurupá e Itaimbé (Coreia), e cidades vizinhas como Tarantim, Buerarema, Itapetinga e Prado, demonstrando um impacto regional significativo. A comunidade de Gurupá, em particular, é destacada por Jorge Coelho pelo seu "bondoso coração", com o Pastor Marcos e a irmã Ne da Assembleia de Deus liderando um movimento mensal de arrecadação de patrocínios. Essa colaboração direta permite que o projeto distribua itens essenciais, como os 32 pares de tênis que seriam entregues em Gurupá na semana seguinte à entrevista, reforçando a capacidade da sociedade civil em mobilizar-se pelo bem comum.
À medida que o "Projeto Fazendo uma Criança Feliz" avança, impulsionado pela dedicação incansável de Jorge Coelho e pela generosidade de inúmeros colaboradores, a esperança é que os "sinais positivos" do poder público se concretizem em um apoio mais estrutural. O sonho de uma sede própria, com seus múltiplos serviços de saúde e apoio, permanece como um objetivo primordial para ampliar ainda mais o impacto. Enquanto isso, o projeto segue sua missão de "fazer crianças de fato felizes", expandindo suas parcerias e reforçando a crença de que a união de "pessoas de bons corações" pode, de fato, transformar vidas e construir um futuro mais promissor para a juventude de Potiraguá e arredores.
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▶️ Assista à entrevista completa:
https://www.youtube.com/watch?v=SpXis_cPkpo
