Em uma noite marcada por problemas técnicos iniciais, mas logo superados, o programa "Conversa com Derneval", de Potiraguá, Bahia, recebeu o ex-candidato a vereador Sula para um bate-papo franco e revelador sobre os bastidores da política local. A entrevista, conduzida pelo apresentador Derneval, transformou-se em um palco para Sula desferir críticas contundentes à gestão atual e aos próprios companheiros de campanha, ao mesmo tempo em que projetava suas aspirações futuras e defendia com veemência a figura de um líder da oposição. A conversa, repleta de detalhes e opiniões incisivas, pintou um quadro complexo e muitas vezes desolador da dinâmica política na pequena cidade baiana.

Sula iniciou a entrevista compartilhando sua "experiência muito gratificante" na última campanha eleitoral, onde obteve 166 votos, um número que superou suas próprias expectativas e as de seus amigos, que "não passava de 50 votos". Essa votação expressiva, segundo ele, foi um sinal de confiança e serviu como um forte incentivo para uma futura candidatura. No entanto, a gratidão pelos votos contrastou com uma amarga lição aprendida durante o processo: a de que seus verdadeiros adversários não estavam no campo oposto, mas sim entre aqueles que se diziam seus aliados.

O ex-candidato a vereador revelou que o lado negativo de sua campanha foi descobrir que "meu adversário não é aqueles candidato do outro lado, era os candidato que estava andando comigo". Essa percepção o levou a uma profunda reflexão sobre a lealdade dentro dos grupos políticos, afirmando que os próprios candidatos a vereador do seu partido se preocupavam mais em "apagar" uns aos outros e conquistar votos de colegas do que em combater a oposição. "Meu adversário é quem tava me abraçando todo dia", desabafou Sula, destacando a traição e a desconfiança como marcas dolorosas de sua jornada.

No cenário da oposição, Sula não hesitou em apontar Maurício Portugal, ex-candidato a prefeito, como o pilar mais forte e a verdadeira face da resistência em Potiraguá. Descrevendo Maurício como "um menino simples, um menino educado, um menino que respeita a todos", Sula fez questão de frisar a honestidade como a principal virtude de Portugal, chegando a afirmar que ele "perdeu a política por ser honesto, por ser honesto demais". Para Sula, Maurício representa a integridade que falta na política local, alguém que "não sabia prometer as coisas ao pessoal" e que, por isso, não cedeu a propostas de dinheiro em troca de apoio, preferindo a governança para o povo.

A gestão do atual prefeito Elias Carvalho, em seus primeiros cinco meses, foi alvo de críticas duras e diretas por parte de Sula. Ele a classificou como um "péssimo governo", comparando-a à administração anterior e afirmando que a única diferença seria a mudança de pessoas em cargos-chave, como a Secretaria de Ação Social, que agora tem uma secretária "que sabe conversar", mas que, no fundo, "continua a mesma coisa". Sula também criticou a exclusão de figuras com mérito, como Cley do Salão e Lequinho, e questionou a nomeação de Ramon para a diretoria de esportes, um "cara que não sabe chutar bola", em detrimento de seu pai, que ele considerava digno de respeito.

A atuação dos vereadores da oposição, Neto Mota e Celidalva, também não escapou da avaliação de Sula, que lhes atribuiu "nota zero". Para ele, os parlamentares não estão cumprindo suas verdadeiras obrigações, focando em questões triviais como o lixo na rua, em vez de fiscalizar seriamente o uso dos recursos públicos nas áreas da saúde e educação. Sula estendeu suas críticas à Câmara de Vereadores como um todo, classificando-a como "vergonhosa" e citando um episódio em que um vereador, apelidado de "Coreia", teria perseguido uma menina por criticar o vice-prefeito, enquanto ignorava a agressão de um colega a um homem alcoolizado.

Apesar das desilusões, Sula reafirmou suas pretensões políticas para 2028, alinhando-se firmemente a Maurício Portugal. Ele declarou: "hoje eu sou Maurício Portugal. Continua junto com Maurício Portugal. Com Maurício Portugal, quem ele apoiar, nós estamos junto". No entanto, Sula demonstrou ter aprendido a lição da última campanha, prometendo ser mais "esperto" nas futuras alianças com candidatos a vereador, visando evitar as traições e o fogo amigo que marcaram sua experiência anterior. Ele também opinou sobre as eleições para deputado de 2026, sugerindo que Maurício apoie Robinho, "um cara ideal" e com serviços prestados ao município.

Potiraguá, no sul da Bahia, emerge do relato de Sula como um palco de intensas disputas políticas, onde a lealdade é um bem escasso e a fiscalização dos poderes públicos, na visão do ex-candidato, deixa muito a desejar. A entrevista de Sula, que se apresenta como um "vereador do povo" e não de situação ou oposição, reflete uma busca por um modelo de representação mais atuante e menos comprometido com interesses pessoais, um clamor por uma política que se volte verdadeiramente para as necessidades da população e não para as artimanhas dos bastidores.

A perspectiva futura, conforme delineada por Sula, é de continuidade em sua jornada política, mas com uma sabedoria adquirida a duras penas. Sua disposição em se candidatar novamente e seu compromisso inabalável com Maurício Portugal indicam que a oposição em Potiraguá promete manter-se ativa e vocal. As críticas contundentes à gestão e aos vereadores, aliadas ao seu desejo de ver uma política mais honesta e transparente, sinalizam que o debate público na cidade continuará acalorado, com vozes como a de Sula buscando impulsionar mudanças e exigir maior responsabilidade dos representantes eleitos.

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▶️ Assista à entrevista completa:

https://www.youtube.com/watch?v=Yi7WfOGzKFA