Em um cenário político efervescente na cidade de Potiraguá, Bahia, o vice-prefeito Dr. Fernando revelou detalhes cruciais sobre seu rompimento com a atual gestão do prefeito Jorge Chelles e delineou um novo caminho, alinhando-se à oposição. Em entrevista ao programa "Conversa com Derneval", conduzido pelo jornalista Derneval, o Dr. Fernando, que também é médico, não poupou críticas à falta de transparência e autonomia no governo municipal, confirmando as especulações sobre a ruptura e o realinhamento que promete agitar as próximas eleições na região.
Dr. Fernando, ao apresentar-se, descreveu-se como "um homem temente a Deus primeiramente", destacando a importância da fé em suas decisões. Ele se vê como alguém "simples e humilde, trabalhador, apaixonado pela minha família, apaixonado pela minha profissão, apaixonado pelo Flamengo por política", e que procura tratar a todos com igualdade e justiça. Sua trajetória política, segundo ele, foi natural, influenciada por uma família com raízes na política, e o levou à vice-prefeitura em um momento de expectativas elevadas para a população e seu grupo.
O cerne da entrevista girou em torno do rompimento com o prefeito Jorge Chelles. Dr. Fernando explicou que a decisão de entregar a Secretaria de Saúde, pasta assumida por sua esposa, Edchal – odontóloga com pós-graduação em saúde pública – ocorreu entre três a seis meses após o início da gestão. O motivo principal foi a "falta de transparência e autonomia para trabalhar". Ele detalhou que a esposa, apesar de sua competência, não tinha liberdade para implementar um trabalho diferenciado na saúde. "Não assinar qualquer tipo de situação sem um conhecimento prévio" foi um dos seus princípios, levando à entrega da pasta e à recusa de assumir outras áreas, pois seu foco e expertise eram na saúde.
Além da saúde, Dr. Fernando apontou o descumprimento de outros compromissos de campanha, como a participação na administração dos distritos de Itaimbé e Gurupá, que haviam sido firmados com seu grupo político. Ele lamentou que a gestão atual fosse centralizada, com todos os secretários sem autonomia, "simplesmente assinam", sendo a Secretaria de Administração a única a comandar. Essa centralização, somada à falta de diálogo, levou ao afastamento. "Na verdade, não teve nenhuma conversa de romper, nunca ninguém chegou. Nós não conversamos para romper, apenas houve um afastamento, nem ele me procurou e nem eu procurei ele", esclareceu o vice-prefeito, evidenciando uma ruptura silenciosa, mas profunda.
Questionado sobre o que faria de diferente se estivesse à frente da prefeitura, Dr. Fernando foi enfático: "A carro-chefe é saúde, né? A área que eu entendo." Ele propôs a formação de "um time de secretários top que não precisaria um ou ele administrar tudo", contrastando com a gestão atual que, em sua visão, é controlada por uma única secretaria. O médico ressaltou a importância de aplicar a verba da saúde "com transparência, com responsabilidade", acreditando que "daria para fazer muito mais pela principalmente pela saúde e não tá sendo feito". Sua visão é de uma administração descentralizada e com foco na eficiência dos serviços públicos essenciais.
Com o afastamento, Dr. Fernando confirmou seu apoio à oposição em Potiraguá. Ele descreveu um processo democrático de união do grupo, com a realização de pesquisas para definir o pré-candidato a prefeito. "Hoje eu apoio a oposição", afirmou, revelando que Maurício Portugal emergiu como o nome mais forte, superando a ex-vereadora Cristina Bridge em uma pesquisa transparente. Dr. Fernando elogiou Maurício como "um nome novo", que se destaca por ser "trabalhador, honesto, de família, caráter". Cristina, por sua vez, "cumpriu a palavra", unindo-se à campanha de Maurício, fortalecendo a frente oposicionista.
Apesar de seu engajamento com a oposição, Dr. Fernando esclareceu que, "no momento, não tenho interesse de concorrer nenhum cargo", seja prefeito, vice-prefeito ou vereador. Essa decisão, segundo ele, é pautada pelo apoio familiar, que considera fundamental para uma empreitada de tamanha responsabilidade. "Se não tiver um apoio irrestrito ou pelo menos 80%, 90%, não consigo ser", ponderou. Ele se comprometeu, no entanto, a apoiar Maurício Portugal de outras formas, seja financeiramente, seja caminhando pelas ruas e pedindo votos aos amigos, mantendo-se como uma figura influente nos bastidores da campanha.
Potiraguá, cidade no interior da Bahia, assim como seus distritos de Itaimbé e Gurupá, enfrenta desafios significativos, especialmente na saúde e na geração de empregos. A tradição de ter um vice-prefeito oriundo dos distritos, visando garantir representatividade, foi um ponto de discussão. Dr. Fernando, que reside em Itaimbé, lamentou ter sido "podado" e "cortado", sentindo-se marginalizado em sua função. Ele acredita que "ajudava mais as pessoas quando não era vice do que quando eu era vice", ilustrando a dificuldade de atuar sem autonomia ou orçamento. A expectativa é que a chapa da oposição, ao definir seu vice, considere essa tradição e a necessidade de representação distrital.
Com a formação de uma frente oposicionista unida e o nome de Maurício Portugal consolidado como pré-candidato, o cenário político de Potiraguá se desenha para uma disputa acirrada. As declarações de Dr. Fernando expõem as fragilidades da gestão atual e as aspirações por mudança de um grupo político que busca resgatar a transparência e a autonomia na administração pública. A cidade aguarda as próximas etapas do processo eleitoral, com a esperança de que os planos para a saúde e a gestão eficiente, tão enfatizados pelo vice-prefeito, possam se concretizar em um futuro próximo.
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▶️ Assista à entrevista completa:
https://www.youtube.com/watch?v=TsVnGDWdB7M
