Em uma noite de revelações e posicionamentos firmes, o programa "Conversa com Derneval", de Potiraguá, Bahia, recebeu o pré-candidato a vereador Robson Tadeu para um diálogo franco sobre a política local. Desde o início, Tadeu, conhecido por sua trajetória e por não se esquivar de temas espinhosos, não hesitou em lançar uma crítica contundente à atuação do Poder Legislativo municipal, sintetizada no impacto do seu slogan de campanha: "O silêncio tem que acabar". A entrevista, acompanhada por mais de 115 pessoas online, destacou a insatisfação com a aparente inércia de parte da Câmara e a promessa de um mandato mais atuante e combativo em defesa dos interesses da população.

A frase "o silêncio tem que acabar", que se tornou um marco em sua pré-campanha, carrega um significado profundo para Robson Tadeu. Ele explicou que a inspiração veio de um adesivo visto em Itabuna, mas que a assimilação para Potiraguá foi imediata e pertinente. "Somos nove vereadores na Câmara e pouco se tem discutido os problemas desse município", afirmou, criticando a postura de legisladores que "chegam mudos e saem calados". Para Tadeu, o vereador não é um mero figurante; ele é "o legítimo representante do povo", o "porta-voz do prefeito e a voz da comunidade", incumbido de denunciar desde "a sua rua esburacada" até a "falta de medicamento em um posto de saúde". A responsabilidade por essa mudança, segundo ele, recai sobre os eleitores, que terão a chance de "sacramentar novamente os vereadores que aí estão ou substituí-los por outros".

Robson Tadeu, que chegou a Potiraguá vindo de Ibicaraí já com formação, detalhou sua entrada na vida política, que ele descreve como uma paixão. Sua motivação inicial e duradoura foi a gratidão pelo acolhimento do povo de Potiraguá, a quem ele se refere como o "maior patrimônio" e a "maior riqueza" do município, destacando sua gente "acolhedora, prestativa, pessoa que tem um calor humano fora do comum". Sua primeira eleição, na qual foi vitorioso enquanto Edvaldo Cardoso era candidato a prefeito, marcou o início de uma carreira pautada pela dedicação à comunidade, construindo amizades que, segundo ele, perduram até hoje.

No entanto, a trajetória de Tadeu não foi isenta de desafios e sacrifícios. Ele revelou ter pago um "preço alto" por sua fidelidade aos políticos, embora nunca ao povo. Contou sobre uma época durante a gestão de João Pereira Lisboa, quando chegou a "quase passar fome" por não receber seu subsídio de vereador, uma situação que ainda está na justiça. "Eu passei, eu pago caro por ser fiel aos políticos, não pago preço alto por ser fiel ao povo de Potiraguá", enfatizou. Mencionou também ter sido "barrado" em uma convenção em 1999 para ceder lugar a Dr. Olinto, que se tornou um dos melhores prefeitos do município, e sua lealdade inabalável a Olinto, mesmo sob pressão e propostas financeiras para apoiar outro candidato. Relatou, inclusive, que o atual prefeito votou cinco vezes contra ele naquela convenção. Após um período afastado, retornou, sendo o vereador mais votado, um retorno que atribuiu ao apoio de um grupo que o abraçou, incluindo nomes como Júnio Santana, Tom de Louça, Rodrigo Ferraz, Elias Carvalho e Mara Palmeira.

Ao avaliar a atual Câmara Municipal, Robson Tadeu empregou uma ironia mordaz, concedendo-lhe "nota 1000", pois, segundo ele, "não fui eu que escolhi" os vereadores, mas sim o povo. Ele criticou a formação de "quartéis generais" e o gasto de dinheiro com "lequinho do esporte" ou indivíduos que "puxam o saco de A, de B, de C", em detrimento das reais necessidades da população. Em relação ao cenário executivo, Tadeu expressou seu apoio a Elias Carvalho, afirmando: "Estou com Elias", pois o conhece bem e o considera uma das primeiras pessoas que conheceu em Potiraguá. Sobre a continuidade ou não do governo atual, ele ponderou que "nenhum governo é feito com 100% de acerto" ou "100% de erro", e que o tempo do prefeito não deve ser para "fuxico", mas para cuidar da saúde, educação e lazer da população.

O pré-candidato também destacou o papel essencial do vereador na fiscalização, legislação e, crucialmente, na indicação de melhorias. Ele lembrou de suas próprias indicações quando vereador, como a recuperação de estradas vicinais, a remoção de um matadouro e a eletrificação da Agrovila (projeto Cédula da Terra), que foi executada na gestão de Dr. Olinto. Tadeu criticou práticas que considera humilhantes, como a exigência de fotos para a distribuição de pães em programas sociais, defendendo que "a mão direita para que a esquerda não veja". Para ele, o vereador deve ser a voz ativa que leva as demandas ao prefeito, sem medo ou subserviência, pois "o prefeito agradece" por ter conhecimento dos problemas.

Questionado sobre o legado que deixou e a votação de seu filho, Gideão Neto, na última eleição, Tadeu foi direto. Ele atribuiu a não eleição de Gideão à sua recusa em desvincular-se da amizade com Léo do Leite, o que resultou na divisão de votos. No entanto, elogiou o filho como um "servidor fora de série" e previu seu retorno com mais experiência. Quanto ao seu próprio legado, Tadeu afirmou ter dedicado "mais atenção ainda ao pessoal carente", pagando contas de energia para famílias e providenciando tratamentos oftalmológicos, sempre "sem bater foto, sem propaganda, sem muito alarme", respeitando a dignidade do povo.

Potiraguá, para Robson Tadeu, é um lugar de gente especial. Ele reiterou que "a maior riqueza desse município é a sua gente", pessoas acolhedoras e de um "calor humano fora do comum". A cidade, com suas particularidades como o distrito de Coreia e a importância de suas estradas vicinais como "corredor da riqueza", enfrenta desafios que exigem um legislativo atento. A menção a bairros como "feijão semeado" e "monon", onde ele atuou diretamente, sublinha a diversidade social e geográfica do município, que clama por representantes engajados e conhecedores de suas realidades.

Para um eventual novo mandato, Robson Tadeu promete intensificar sua atuação em áreas sensíveis. Seu foco será a atenção aos carentes, a implementação de uma política de esporte para acolher jovens e o incentivo à saúde e lazer, em contraste com o que ele vê como "coisas que não devem ser incentivadas" e que "lamentavelmente são liberadas hoje". Ele reafirmou seu compromisso de ser um "combatente" ao lado do prefeito Elias Carvalho, caso eleito, para "defender o povo de Potiraguá", apontando ruas esburacadas, falta de remédios e ambulâncias. "Esse dinheiro de vereador não me serve, não é para o povo", concluiu, reiterando sua promessa de usar os recursos em benefício da comunidade, e não para interesses pessoais, consolidando sua imagem como um defensor incansável do povo de Potiraguá.

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▶️ Assista à entrevista completa:

https://www.youtube.com/watch?v=6B_cTMYxm4M