Em uma noite de diálogo franco e revelador no programa "Conversa com Derneval", transmitido de Potiraguá, Bahia, o Comandante da Guarda Municipal, Paulo César – conhecido simplesmente como César –, desvendou os bastidores da segurança pública municipal. Com uma trajetória de seis anos à frente da instituição, divididos em dois mandatos, César ofereceu uma perspectiva profunda sobre os desafios, conquistas e o futuro da Guarda Civil Municipal (GCM) local. A entrevista, conduzida por Derneval, apresentador do programa, trouxe à tona não apenas a experiência de um líder, mas também a visão de um cidadão comprometido com a paz e a proteção de sua comunidade.

A jornada de Paulo César na Guarda Municipal de Potiraguá é marcada por pioneirismo e resiliência. Ele se orgulha de ser o primeiro GCM a comandar a instituição, em um percurso que começou brevemente no governo Luís Soares e se consolidou a partir de 2018, sob a gestão de Jorge Shelles. César, que não possui formação acadêmica em segurança pública, enfatiza que sua liderança é forjada em 28 anos de experiência prática, iniciada em abril de 1998. "Minha experiência é de vida", afirmou, destacando que para ele, um líder deve ser um "parceiro para todas as horas", com a sabedoria de "ouvir, para interagir com o grupo", especialmente ao lidar com um corpo de agentes de "pensamentos diferentes, atitudes adversas".

Sua filosofia de gestão é intrinsecamente ligada à "parceria". O comandante descreve seu estilo como o de um conselheiro e amigo, buscando o bem-estar de sua equipe, mesmo que isso signifique tomar decisões difíceis. Ele compartilhou um episódio desafiador, onde precisou intervir em um conflito entre dois guardas, que se caluniavam em um grupo de trabalho. César agiu como "pacificador", ouvindo ambos os lados e aplicando o que ele chamou de "sabedoria de Salomão" para apaziguar a situação. Essa abordagem, que prioriza a escuta ativa antes da tomada de decisão, é a base de sua atuação, garantindo que ele seja "muito apaziguador" diante das discordâncias internas.

A Guarda Municipal de Potiraguá, sob o comando de César, conta com um contingente de 32 agentes, distribuídos entre a sede do município (20), o distrito de Itaimbé (11) e Gurupamirim (1). Apesar de reconhecer a importância da GCM para a segurança patrimonial da cidade, César, como cidadão, aponta as limitações operacionais, como a falta de armamento e a consequente "capacidade limitada de trabalho noturno" em um cenário de crescente criminalidade. Contudo, como comandante, ele reafirma que a GCM é "a polícia desse município", presente em campeonatos e eventos públicos, como o recente "Trilhão do vereador Elvis" e o campeonato municipal de futsal, demonstrando um empenho incansável mesmo com recursos restritos.

Ao comparar a realidade de Potiraguá com a GCM de Itarantim, cidade vizinha que opera armada e com mais viaturas, César atribui a diferença a "projetos de gestão p��blica" e ao recebimento de verbas federais. Embora Potiraguá ainda não disponha de armamento institucionalizado para todos os seus agentes – apenas dois ou três guardas possuem armas adquiridas individualmente após treinamento e liberação da Polícia Federal –, o comandante expressa otimismo. Ele projeta que, "daqui para uns tempos", a GCM de Potiraguá também estará equipada e "vai trabalhar da mesma forma ou até melhor" que suas congêneres.

A atuação da Guarda Municipal de Potiraguá é balizada pela Lei 13.022/2014, o Estatuto Geral das Guardas Municipais, que César considera a "bússola" e o "amparo" da corporação. Ele detalhou as competências específicas que a lei confere à GCM, como zelar por bens públicos, prevenir infrações, atuar preventivamente no território municipal e colaborar de forma integrada com as demais forças de segurança. César enfatizou que a lei reconhece a GCM como "agente de segurança pública uniformizada e armada" e que, sim, a guarda possui "poder de polícia". Ele mencionou ainda a luta por uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 18) que busca mudar a nomenclatura para "Polícia Municipal", consolidando um trabalho que já é de "policiamento ostensivo e progressivo".

Olhando para o futuro, o Comandante César vislumbra um "crescimento absurdo" para a Guarda Municipal de Potiraguá. Impulsionado pelo "empenho que eu vi nos olhos do gestor atual", o prefeito Elias Carvalho, ele tem projetos ambiciosos para 2026, incluindo a implementação de uma base de bombeiro civil para atuar em conjunto com a GCM. Sua visão é clara: "Em 2026, 2028, Potiraguá vai ter uma das polícias municipais mais bem preparadas da região", com especialização em diversas áreas e uma integração "a melhor possível" com a Polícia Militar e a Polícia Civil, com quem já mantém uma parceria sólida e colaborativa.

Em uma cidade como Potiraguá, no interior da Bahia, onde os desafios da segurança pública, como o aumento da criminalidade e a ameaça à juventude, são palpáveis, a presença e a evolução da Guarda Municipal são cruciais. A dedicação de líderes como Paulo César, que buscam aprimorar a instituição e equipá-la para enfrentar as adversidades, reflete o anseio da comunidade por mais tranquilidade. A GCM, apesar de suas limitações atuais, é um pilar de apoio e preven��ão, atuando em conjunto com as demais forças para coibir delitos e garantir a ordem, demonstrando que a segurança é uma construção coletiva e contínua.

A entrevista de Paulo César no "Conversa com Derneval" serviu como um panorama inspirador das aspirações da Guarda Municipal de Potiraguá. Com um comandante que acredita no poder da paciência, da sabedoria e da parceria, a instituição caminha para se tornar uma força policial municipal mais robusta e reconhecida. Os projetos futuros, o compromisso da gestão e a dedicação dos agentes apontam para um horizonte onde a GCM não apenas protegerá o patrimônio, mas se consolidará como uma verdadeira "Polícia Municipal", preparada para enfrentar os desafios e garantir a segurança e a paz social que Potiraguá e seus cidadãos merecem.

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▶️ Assista à entrevista completa:

https://www.youtube.com/watch?v=Ck9siaqN53Q