**Potiraguá Celebra o Filho Pródigo: Diogo Carlos, O "Dioguinho", Compartilha Trajetória de Dedicação e Responsabilidade**

Potiraguá, Bahia – A pequena cidade do sul da Bahia parou na noite desta terça-feira para acompanhar, com orgulho e atenção, a entrevista do seu filho mais ilustre no futebol, Diogo Carlos – carinhosamente conhecido como Dioguinho – no programa "Conversa com Derneval". Do campo de várzea do Monon aos gramados profissionais, a jornada do jogador é um testamento de paixão, sacrifício e uma responsabilidade crescente que o transformou de um jovem talento em um exemplo para as novas gerações. A conversa, repleta de memórias e projeções futuras, revelou a essência de um atleta que nunca esqueceu suas raízes.

O início da paixão de Dioguinho pelo futebol remonta à infância descalça nas "babinha" do Monon, em Potiraguá. "Você, como um de muitos aqui em Potiraguá, sabe de onde eu sou? Foi através do Monon, né? A gente batia aqueles considerado babinha lá, descalço, era descalço lá no Monon", relembrou o atleta ao apresentador Derneval. Desde muito cedo, o futebol era mais do que um desejo; era um "dom natural", uma vocação que o impulsionou a sair de casa com apenas 13 anos em busca de um sonho que parecia distante para muitos da região.

Contudo, a vida de um jogador profissional não é isenta de desafios, e Diogo Carlos enfrentou-os de frente. O mais difícil, segundo ele, foi a distância da família nos primeiros anos. "No início foi ficar longe da minha família, como eu saí muito cedo de Potiraguá, saí com 13 anos", desabafou, lembrando-se de uma época sem a facilidade das chamadas de vídeo e redes sociais, quando um orelhão e cartões telefônicos eram a única ponte com casa. Hoje, a realidade é outra: "Para onde eu vou, levo minha esposa, levo minhas filhas também. Então não tenho essa dificuldade assim ainda mais não". Essa mudança reflete uma evolução profunda em sua mentalidade, que ele resume em uma única palavra: "Responsabilidade". Para Dioguinho, o "Diogo de hoje" é movido pela responsabilidade de pai e marido, um contraste com o jovem que "não tinha esse compromisso 100% mesmo comigo mesmo".

A dedicação é a pedra angular da carreira de Dioguinho. Ele treina diariamente, consciente de que o corpo é seu principal instrumento de trabalho. "Hoje meu compromisso é com o meu corpo, 100% com o meu corpo. Treino todos os dias", afirmou. Seu estilo de jogo é marcado pela intensidade, uma característica que ele usa para superar adversários. "Eu me defino com estilo de jogo, meu irmão, é como um cara de extrema intensidade no jogo. Para quem vê, eu não consigo ficar parado no canto, só sempre busco o jogo sempre", descreveu, admitindo que talvez não tenha o talento mais refinado do mundo, mas compensa com uma energia incansável que "cansa mais os adversários". Sua maior inspiração profissional é o argentino Ángel Di María, cujo estilo de jogo ele busca emular.

Atualmente, Diogo Carlos tem contrato com o Amazonas até 20 de dezembro e já analisa propostas para o próximo ano. Embora não tenha definido seu futuro clube, seus objetivos de vida são claros e profundamente enraizados na família. "Eu tenho objetivo de hoje, hoje daqui para frente é dar o melhor pra minha família", declarou. O jogador expressou imensa gratidão pelas conquistas que já obteve — casa, carro — superando as expectativas de um jovem vindo de uma cidade pequena. Ele almeja jogar profissionalmente em alto nível até os 37 ou 38 anos, uma meta que considera alcançável graças ao seu comprometimento com o cuidado físico.

Dioguinho também se tornou uma fonte de inspiração para os jovens de Potiraguá, e ele não hesita em compartilhar conselhos valiosos. "O que eu deixo para os meninos de hoje é seguir exemplos que sejam bons para eles, trabalhar, focar no que eles realmente querem da vida mesmo", aconselhou. Ele destacou a importância de ter um "Plano A" e segui-lo com afinco, sem desanimar. O jogador fez questão de elogiar o trabalho de Peta, que hoje dirige uma escolinha de futebol na cidade, oferecendo oportunidades e fundamentos que não existiam em sua época, quando a garotada se reunia no "Baba de Seu Toninho simplesmente para brincar".

Entre os momentos mais marcantes de sua trajetória, Dioguinho citou o primeiro título como profissional, conquistado com o Sergipe, algo que "fica marcado". No entanto, seu maior orgulho transcende os campos: o nascimento de suas filhas, Giovana e Samanta. "Foi o melhor presente que Deus me deu, foi a minha filha", emocionou-se. A figura de sua mãe, que "largou tudo para ele poder ir comigo embora para Salvador", é reconhecida como sua maior incentivadora e pilar de apoio desde o início.

A entrevista foi também uma viagem nostálgica pelas raízes do futebol potiraguense. Dioguinho relembrou com carinho o time "Os Manos", com quem conquistou três campeonatos seguidos entre 2012 e 2014, e as peladas no Monon, onde a rivalidade era tão grande que ele e Derneval precisavam jogar em times separados para equilibrar as forças. Nomes como Gugu, Pitbull, Valzinho e Chau Zumba, figuras lendárias do futebol amador local, foram evocados em um divertido quadro de "quem é melhor", ressaltando a rica cultura futebolística da cidade. O jogador também fez menção a Seu Toninho, a quem creditou a oportunidade de iniciar sua trajetória nos campeonatos municipais.

Olhando para o futuro, Diogo Carlos, o Dioguinho, personifica a realização de um sonho que nasceu nas ruas de terra de Potiraguá. Sua história de perseverança, responsabilidade e gratidão serve como um farol para muitos, mostrando que, com dedicação e o apoio da família, é possível transformar um talento natural em uma carreira de sucesso e um legado de inspiração. Potiraguá continuará a acompanhar, com carinho e admiração, os próximos capítulos da jornada de seu filho pródigo, que leva o nome da cidade por onde passa.

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▶️ Assista à entrevista completa:

https://www.youtube.com/watch?v=oP4WF-SG0ME