Na efervescência política de Potiraguá, no sul da Bahia, o programa "Conversa com Derneval" abriu espaço para um dos nomes mais comentados do cenário local: o vereador Raul de Dedé. Em uma entrevista ao vivo que prometia "chutar o balde" e "tirar o chapéu", o legislador, conhecido por seu bordão "a favela venceu", revisitou sua trajetória, avaliou o cenário da Câmara Municipal e abordou temas sensíveis que mobilizam a população, como emprego, demissões e a tão aguardada realização de um concurso público. A conversa, marcada pela franqueza e pela interação direta com os ouvintes, ofereceu um panorama detalhado dos desafios e perspectivas da gestão municipal e do papel do vereador.
Raul de Dedé, que cumpre seu terceiro ano de mandato e ocupa a posição de líder da bancada do prefeito Jorge Chelles, fez uma avaliação positiva da Câmara Municipal de Potiraguá. Composta por nove vereadores, sendo oito da base governista e apenas um de oposição, a Casa, segundo ele, vive um novo momento. "O prefeito soube trabalhar para poder fazer uma câmara favorável para os interesses do povo e dele", afirmou Raul, destacando a habilidade do gestor em construir uma maioria. Ele ressaltou a estrutura renovada do legislativo e a ausência das antigas discussões acaloradas e "bafafás" que marcavam sessões passadas. "Acabou aquelas discussões, aquela questão de você estar ofendendo o colega, aquele negócio de bater em mesa", pontuou o vereador, convidando a população a acompanhar as sessões de quinta-feira.
O bordão "a favela venceu", frequentemente usado por Raul de Dedé, foi um dos pontos altos da entrevista. Questionado sobre seu significado, o vereador esclareceu que, embora Potiraguá não tenha favelas no sentido tradicional, a expressão representa as pessoas que, como ele, "em outras gestões não tiveram oportunidade". Raul, o primeiro político de sua família, descreveu sua campanha como "pé no chão", sem grandes financiadores ou empresários poderosos. "O meu eleitorado ele me cobra para poder estar aqui hoje dando a minha posição quanto a vereador porque é o pessoal que talvez não tem acesso ao serviço público", explicou, detalhando as demandas de seu público, que vão de veículos e exames a cestas básicas e reuniões com o prefeito ou secretários.
Ao refletir sobre seus três anos de mandato, o vereador afirmou não se arrepender de nenhuma de suas ações, ressaltando que "tudo que fiz teve um propósito". Presidente da Comissão de Finanças e Orçamentos da Câmara, Raul de Dedé destacou suas principais bandeiras: a juventude, com foco em emprego e renda, e, mais recentemente, a defesa dos funcionários públicos. Ele mencionou as "brigas" travadas em prol dessas causas, reconhecendo que, apesar dos esforços, a questão da empregabilidade, especialmente a prometida fábrica, ainda é um ponto de desgaste e uma pendência no município.
Um dos temas mais delicados abordados foi a demissão de funcionários contratados no período natalino, uma prática recorrente na administração pública. Questionado por Bruna Morais, prima e eleitora, sobre a sensibilidade da medida, Raul de Dedé demonstrou empatia, mas defendeu a necessidade fiscal. "É o pior momento da gestão", admitiu, reconhecendo o sofrimento de quem perde o emprego. Contudo, ele justificou que as demissões em massa visam "enxugar o quadro" e permitir que a prefeitura "vire o ano no verde", sem dívidas. O vereador aconselhou os contratados a se prepararem para o processo, considerado inevitável para qualquer gestão que precise equilibrar as contas.
A solução para a instabilidade dos contratos, segundo Raul e a pergunta de Gideão Neto, reside no concurso público. O vereador, que tem sido um dos mais atuantes na luta pela medida, informou que um concurso com 169 vagas para a educação já foi autorizado e que o prefeito Jorge Chelles prometeu outro para o próximo ano, que incluirá vagas para a própria Câmara Municipal. "O concurso público é a melhor forma de acabar com essa sofrimento que é a questão das demissões", enfatizou, destacando a importância de "oxigenar a gestão" com novos talentos e profissionais efetivos, dado que o último concurso em Potiraguá, se não se engana, foi em 2008.
Em relação à sua base eleitoral e à perspectiva de reeleição, Raul de Dedé demonstrou confiança, mas com os pés no chão. Questionado por Gideão Neto sobre seus menos de 200 votos na eleição passada, o vereador explicou que sua expectativa era justamente essa, 200 votos, e que o apoio de figuras como Diego Chelles e Elias Carvalho foi fundamental. Para a próxima eleição, ele planeja uma campanha mais intensa e projeta a necessidade de 300 a 350 votos para garantir sua reeleição. Raul reiterou sua lealdade aos "meninos do grau" – jovens motociclistas que o apoiaram – e a todo o seu eleitorado de famílias simples, que o ajudaram a chegar onde está.
Potiraguá, com sua dinâmica política particular, reflete os desafios de muitos municípios do interior baiano. A forte base governista na Câmara, a discussão sobre emprego e renda e a busca por estabilidade no serviço público são temas que ressoam diretamente na vida dos cidadãos. O programa "Conversa com Derneval", com sua plataforma ao vivo, serve como um importante canal para que a população expresse suas preocupações e para que os líderes políticos, como Raul de Dedé, prestem contas e apresentem suas visões, evidenciando a vitalidade democrática local.
O futuro político de Potiraguá, com eleições se aproximando, promete ser movimentado. Raul de Dedé, com sua postura de "representante da favela que venceu" e seu compromisso com a juventude e os funcionários públicos, busca consolidar seu espaço. A realização do concurso público e a concretização de projetos de emprego e renda serão cruciais para a gestão e para a percepção popular. A promessa de uma Câmara mais séria e focada nos interesses da população, aliada à transparência do debate público, desenha um cenário de expectativa para o desenvolvimento contínuo da cidade e para a participação ativa de seus cidadãos.
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▶️ Assista à entrevista completa:
https://www.youtube.com/watch?v=G5FacpRrE4M
