Potiraguá, Bahia – Em uma noite de intenso debate político transmitida pelo canal "Conversa com Derneval" no YouTube, a arena política de Potiraguá foi dissecada por pré-candidatos que buscam desafiar as estruturas tradicionais de poder na cidade. Sob a condução do apresentador Derneval, o programa trouxe à tona discussões sobre sonhos, adiamentos, a busca por uma política mais representativa e a persistente cultura que privilegia o status financeiro em detrimento da competência e dos projetos. Os convidados, Antônio Barone, pré-candidato a prefeito, e os pré-candidatos a vereador Denildo Açougue e César Guarda, não pouparam críticas ao sistema vigente, prometendo uma abordagem diferenciada caso cheguem ao poder.
Antônio Barone, funcionário municipal há 27 anos, abriu o coração sobre sua trajetória e aspirações. Ele revelou que nutre um desejo antigo de comandar o executivo municipal. "Eu tenho sim o sonho de ser um dia candidato de ser prefeito de Potiraguá", afirmou Barone, explicando, no entanto, que sua pré-candidatura para 2024 foi adiada. "Para tudo há um tempo... ia me lançar candidato agora em 2024, mas não foi possível, devido a questão de doença", detalhou, assegurando que, apesar do revés, o sonho de transformar a cidade segue vivo e inabalável, aguardando o momento certo e os planos divinos.
Ainda sobre as pretensões majoritárias, Derneval questionou a continuidade do projeto que uniria Barone e César Guarda como pré-candidatos a prefeito e vice, respectivamente. Barone confirmou que, para o pleito de 2024, "o projeto infelizmente não continua... por causa dessa questão de doença". Contudo, ele enfatizou que a essência da luta permanece. "As pessoas podem tirar de você qualquer bem material, mas aquilo que você constrói dentro do seu pensamento, jamais", declarou Barone, defendendo que "a capacidade ela não se limita ao poder financeiro, ela não se limita nos bens materiais, mas a capacidade ela está no intelecto da pessoa", em uma clara crítica à forma como a política local tem sido conduzida.
César Guarda, pré-candidato a vereador e parceiro de Barone no projeto inicial, corroborou a análise sobre a política potiraguense. Ele descreveu a prefeitura como uma "herança que vem passando de pai para filho", onde "o que caracteriza um candidato a prefeito de Potiraguá vai ser sempre sua condição financeira, não vai ser por projetos". Guarda, porém, manteve a esperança: "Eu e Antônio Barone não tínhamos não, nós temos ainda esse sonho de um dia o eleitorado de Potiraguá olhar para trás e entender que não se governa pelo que você tem, mas sim pelo que você é". Ele expressou o desejo de ver um "prefeito filho da terra que não seja um filho de fazendeiro" à frente da gestão.
A conversa também destacou o pré-candidato a vereador Denildo Açougue, cujo nome tem ganhado força em enquetes e pesquisas. Questionado sobre seu crescimento político, Denildo atribuiu o reconhecimento ao seu trabalho contínuo. "O que atribui o meu crescimento nas enquetes, na política, é meu trabalho prestado que eu sempre venho prestando", afirmou. Com a experiência de sua quarta campanha, Denildo prometeu uma política "verdadeira", sem mentiras, e com um compromisso inabalável com a comunidade. "Se for para mim ganhar política e mudar com meus amigos e meus eleitores da forma que eu sou hoje, eu não quero ganhar política", disse, ressaltando o desejo de "fazer história, e a melhor história que já teve de um candidato a vereador".
Barone aprofundou sua crítica ao sistema político ao ser indagado sobre por que, apesar de seu vasto conhecimento e engajamento social, nunca foi convidado a assumir um cargo de secretário. Ele explicou que a política é seletiva, especialmente em Potiraguá, onde uma "elite podre", segundo suas palavras, impede que pessoas competentes e sem privilégios ocupem posições de destaque. "Essa Elite [...] ela jamais ia permitir que Barone ocupasse um cargo de secretário. Mas eu sou muito competente", afirmou com veemência. "Essa pseuda Elite de Potiraguá sentiu ofendida e se sente ofendida quando um cidadão simples, funcionário, eletricista se candidata, se propõe a candidatar a prefeito de Potiraguá."
O adiamento do projeto majoritário de Barone e César foi novamente abordado por César Guarda, que reiterou que a decisão não foi uma desistência, mas uma questão de "força maior" e de tempo. "Não é que nós adiamos, praticamente isso vem de uma força maior... não é o momento de Antônio Barone e César", explicou, indicando que o momento político atual não seria propício para a concretização da chapa. A política, segundo ele, é dinâmica e se transforma, e o tempo certo para suas pretensões pode ser "de 2027 para frente", mantendo viva a chama de suas aspirações.
Em um ponto crucial da entrevista, Barone detalhou suas propostas e ideias para Potiraguá, criticando a falta de projetos concretos de outros pré-candidatos. Ele defendeu que as transformações são "simples de acontecer, só ter boa vontade... deixar de lado as burocracias e a vaidade", que ele considera entraves ao desenvolvimento. Para a crucial questão da geração de emprego e renda, Barone apontou para a necessidade de "fazer parcerias públicas e privadas em busca de trazer resultados positivos", uma soluç��o prática que contrasta com as respostas evasivas que, segundo ele, são dadas por muitos oportunistas da política.
A realidade política de Potiraguá, conforme retratada pelos entrevistados, é marcada por um cenário onde a tradição do poder hereditário e a influência do capital financeiro ainda exercem forte domínio. A cidade, que busca um prefeito "filho da terra", enfrenta o desafio de romper com uma cultura que, historicamente, prioriza a condição socioeconômica sobre a capacidade de gestão e a vontade de servir. Os debates no "Conversa com Derneval" revelaram um anseio profundo por uma política mais transparente, inclusiva e focada nas reais necessidades da população, em vez de interesses de uma "elite" autoproclamada.
Ao final da transmissão, a perspectiva para Potiraguá se desenha com um misto de desafios e esperança. Embora a pré-candidatura a prefeito de Antônio Barone e a chapa com César Guarda tenham sido adiadas para 2024, o fervor por uma mudança política permanece. A ascensão de nomes como Denildo Açougue e a persistência dos ideais de Barone e Guarda indicam que o cenário político da cidade está em efervescência. A busca por uma gestão que valorize a competência, a honestidade e os projetos em detrimento do status financeiro é um clamor que, conforme os pré-candidatos, um dia se fará ouvir, prometendo um futuro de transformações genuínas para Potiraguá.
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▶️ Assista à entrevista completa:
https://www.youtube.com/watch?v=DeTQ9epjMzc
