A eleição de 2026 deixou um recado importante para quem acompanha a política de Potiraguá. Mais do que escolher deputados estaduais e federais, as urnas acabaram desenhando um novo retrato das forças políticas do município.
E os números chamam a atenção.
O grupo liderado pelo prefeito Elias Carvalho, com a articulação política do seu filho e chefe de gabinete, Eduardo Carvalho, conseguiu demonstrar força mesmo com diferentes apoios dentro do próprio grupo.
Na sede de Potiraguá, a deputada estadual Andréa Castro, apoiada pelo prefeito, obteve 1.326 votos. Já nos distritos, o grupo apoiou Patrick Lopes, que alcançou 426 votos. Somados, os dois candidatos estaduais apoiados pelo grupo do prefeito chegaram a 1.752 votos.
Para deputado federal, o grupo também teve um resultado expressivo com Neto Carletto, que ultrapassou a marca de 1.700 votos no município.
Outro resultado que merece ser observado é o do vice-prefeito Gegel, que apoiou Antônio Brito para deputado federal e conseguiu 1.605 votos.
Também integrante do grupo político da situação, Diego Cheles, então secretário municipal de Meio Ambiente, apoiou Léo de Neco para deputado estadual, que obteve 1.023 votos em Potiraguá.
E a oposição?
Do outro lado, os números foram bem mais modestos.
O deputado estadual Sandro Régis, apoiado pelo grupo de oposição, obteve 796 votos. Para deputado federal, Robinho, também apoiado pela oposição, conseguiu 781 votos.
É justamente essa diferença que provoca a reflexão.
A situação está com tudo?
Os números, pelo menos neste momento, apontam para uma resposta positiva. Mesmo com o grupo do prefeito dividido entre diferentes candidatos, os apoios conseguiram produzir uma votação expressiva e, principalmente, demonstraram capacidade de mobilização eleitoral.
Já a oposição, diante do resultado, parece ter deixado muito a desejar.
Mas há também resultados individuais que merecem ser destacados.
O vereador Neto Motos, mesmo atuando de forma praticamente individual, conseguiu dar 199 votos para sua candidata a deputada estadual, Cláudia Oliveira. Proporcionalmente, é um resultado que chama atenção e demonstra a capacidade de mobilização de uma liderança.
O mesmo pode ser observado com o ex-vereador Idene Rios, que apoiou Wagner Alves e conseguiu 103 votos para o candidato.
E há ainda um dado que chama atenção e pode ser considerado uma das surpresas dessa eleição em Potiraguá: o desempenho do filho do ex-prefeito João Biquíni, que conseguiu pouco mais de 100 votos no município.
Pode parecer um número pequeno diante das grandes votações registradas pelos principais grupos, mas politicamente o resultado também serve como termômetro para avaliar a força atual de determinadas lideranças e famílias tradicionais da política local.
O que as urnas estão dizendo?
Talvez essa seja a principal pergunta que o eleitor de Potiraguá deveria fazer neste momento.
A eleição de 2026 mostrou uma situação fortalecida, organizada e com capacidade de distribuir seus apoios sem perder força eleitoral.
O grupo do prefeito conseguiu colocar diferentes candidatos em campo e, ainda assim, alcançar números expressivos. Isso demonstra que, se houver unidade política, diálogo e capacidade de deixar vaidades pessoais de lado, o grupo poderá chegar muito forte às próximas eleições municipais.
Enquanto isso, a oposição precisa fazer uma reflexão profunda.
Os números de 2026 mostram uma oposição que, pelo menos nesta eleição, deixou a desejar — e muito.
Faltou força? Faltou organização? Faltou unidade? Faltou uma liderança capaz de reunir os diferentes grupos?
São perguntas que a própria oposição terá que responder.
Porque eleição municipal é outra história, e quatro anos na política podem mudar muita coisa. Mas também é verdade que as urnas deixam sinais, e ignorá-los pode ser um erro.
Hoje, olhando exclusivamente para o resultado de 2026, o cenário parece claro: a situação saiu fortalecida e a oposição terá muito trabalho pela frente se quiser recuperar espaço político em Potiraguá.
O convite, portanto, não é para comemorar de um lado ou criticar do outro.
É para pensar.
Se o grupo do prefeito permanecer unido, sem vaidades e com uma articulação política capaz de manter suas diferentes lideranças no mesmo projeto, quem conseguirá tirar essa força do poder?
Essa é a pergunta que as urnas de 2026 deixaram para Potiraguá.